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Sofri um golpe (para que você não caia também)

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Em 27 de outubro de 2022, às 15h55 eu sofri um golpe, sendo vítima de estelionato.

Havia comprado através de uma floricultura digital um produto — desci correndo já que logo às 16h eu teria uma reunião de equipe. O entregar me diz que preciso pagar a taxa de entrega, R$ 15,99. Sempre tive muito cuidado com isso, já havia ouvido falar do famoso “golpe da maquininha”. Minha esposa que conhecia e confiava na floricultura então pouco ponderei a respeito.

Acreditei que fosse um funcionário da própria floricultura, afinal ele estava com o produto que pedi. Passei vários cartões e todos davam recusado. Então, um dos cartões, de crédito, me avisa ter passado R$ 4.999,00.

O sujeito me entrega o produto e sai correndo, enquanto fico imóvel sem entender a situação. Estava sofrendo um golpe. O choque não vem de uma vez só, ele vai se materializando ao seu redor e depois, é como se você estivesse totalmente imerso nesse lugar-que-é-lugar-nenhum.

Como foi através crédito, achei que bastaria contestar a compra. Entretanto o Santander foi solidário ao crime; Não apenas não cancelou a compra como me endividou para eu pagar o valor, que era o limite do cartão e não cabia no orçamento. Tão custoso quanto cair em um golpe, é tentar sair dele sem mais danos, mas até o momento não foi o meu destino.

Para as entregas, eles contrataram os serviços através de um empresa chamada Lalamove (não vou linkar nem mesmo com rel='no-follow'), que opera em um modelo de gig economy de entregas.

Solicitei um dado, como carteira de motorista para apresentar à delegacia. A Lalamove não mantém nenhum documento dos motoristas, assim afirmaram para a empresa que os contratou. Ou assim, eles afirmaram para os lojistas. O nome, provavelmente falso e a placa do carro.

Addy Osmani: Respeite a rede e hardware de seu usuário
A(s) pessoas(s) que agiram através da Lalamove tiveram várias entregas pelo dia.
Addy Osmani: Respeite a rede e hardware de seu usuário
Lalamove

Banco Santander solidário ao crime

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Gastei por volta de 8 horas ao telefone (Chutando para baixo). E em primeiro momento me negaram e depois ao acionar a ouvidoria, deixei o telefone com a certeza de ter cancelado a transação que não reconhecia. Infelizmente não parou aí —

Addy Osmani: Respeite a rede e hardware de seu usuário
Notem que na imagem do aplicativo o horário é 01:01, pois haviam anteriormente revertido a transação pela ouvidoria, e notem que a fonte está como on-line

O Santander entretanto, voltou atrás. O registro da operação inclusive passou a registrar como 01:01, e como uma transação online. Que na fatura, eles não assim identificaram, afinal transações on-line explicitamente são cobertas pelo contrato de cartão e mantém a desculpa dos mesmos:

Conforme análise, a compra foi realizada com a via original do cartão 54xxxxxx7113, mediante a validação de chip e senha secreta que é de uso pessoal e intransferível.

Acrescentamos ainda que a guarda e posse do cartão e senha é de responsabilidade do titular.

O chip é uma tecnologia que veio agregar mais segurança na utilização do cartão, pois é um dispositivo inviolável, desta forma garantimos que o mesmo só pode ser utilizado de forma presencial com digitação da senha cadastrada pelo cliente.

Diante do exposto concluímos que a compra foi realizada de forma legítima com validação do chip e senha, sendo necessário a presença do cartão.

Salientamos ainda, que a abordagem recebida pelo cliente foi realizada através das informações do seu pedido em loja virtual, qual é responsável em garantir a segurança das informações de seus sistemas e dados dos seus clientes.

Fica o titular responsável em conferir as transações realizadas, visto que a digitação da senha caracteriza sua expressa concordância com a transação.

Ainda que esses esclarecimentos sejam importantes, lamentamos que o processo tenha gerado dúvidas, pedimos desculpas pelo ocorrido.

Assinado por Tatiana Mota da Ouvidoria, que definiu o estelionato sofrido por mim como …compra foi realizada de forma legítima. Eu literalmente acionei o banco para dizer que não havia sido de forma legítima, eu fui levado ao erro. Eu abri um BO. Foi uma transação de crédito. Já trabalhei em empresas de e-commerce. Alguns clientes pediam estorno de compras legítimas e ganhavam.

Um cliente de mais de uma década, é decidido unilateralmente, serem solidários ao crime. Pois vejam, foi uma transação de crédito. Eu pago ao banco, que paga para a operadora do cartão pagar o estelionatário. Eu passei horas tentando que o estelionatário não recebesse o valor. Se me obrigassem a pagar o valor sabendo que o estelionatário não recebeu, talvez ficasse mais tarnquilho.

Um dos dias, inclusive, eu quase fui levado ao desespero, pois além de descobrir que a cobrança do golpe se mantinha por um tempo o aplicativo mostrava não uma, mas duas transações (!!).

Addy Osmani: Respeite a rede e hardware de seu usuário
Surpresa! Agora você vai pagar duas transações fradulentas!

Mas se trata justamente de um sistema que estimula o crime. Definitivamente imoral o tratamento do banco.

E enfim, a fatura veio, declarando não ser mais de origem on-line e sem o dinheiro para pagar tinha duas alternativas: aceitar a (sic) oferta do Santander e dever a eles mais de 10.000 ou esperar alguns dias e pagar quase 30% de juros mas pegando o dinheiro de outra instituição financeira. E é claro, me endividando, da mesma forma.

Estelionato, infelizmente, parece ser um crime que compensa. Fica aqui meu relato para que outras pessoas evitem todo esse processo torturoso, cansativo e, oneroso.